Portalegre


PATRIMÓNIO HISTÓRICO-ARQUITECTÓNICO

Cidade antiga, de fundação remota, situada no nordeste alentejano, deve o seu nome à formosura do lugar; Portus Alacer é um porto seco, uma paisagem de montanha que se organiza em vila e em concelho no séc. XIII.
Os palácios, igrejas e conventos, que se destacam no seu casario, testemunham a existência de um clero e de uma nobreza rica e senhorial. Notável pelo seu conjunto arquitectónico barroco, possui uma riqueza museológica rica e diversificada.

Da sua época gótica restam o castelo e as muralhas da cidade (de D. Afonso III e D. Dinis), os conventos de S. Francisco (séc. XIII) e de Sta. Clara (séc. XIV), a Igreja do Espírito Santo (séc. XIV) e algumas portas góticas dispersas pelas ruas do centro histórico.

O séc. XVI foi um século prodigioso na economia e na população, na afirmação administrativa (comarca em 1533, diocese em 1549 e cidade em 1550) e, como não podia deixar de ser, na monumentalidade arquitectónica.

Desse século e da indelével passagem de bispos ficaram jóias do património urbano tais como a Sé Catedral, o Mosteiro de S. Bernardo, o Paço Episcopal, o Primeiro Seminário e o Consistório e Igreja da antiga Misericórdia.

Dos séculos XVII e XVIII ficaram o Convento de Santo Agostinho, o Calvário, a Igreja de São Lourenço, o Colégio de São Sebastião e a Igreja do Senhor Jesus do Bonfim.


A cidade monumentaliza-se agora pela arquitectura civil barroca, ostentando um grande número de solares brasonados dos séculos XVII e XVIII, a par de incontáveis prédios, de feição burguesa no mesmo estilo, sendo um dos mais importantes conjuntos do país. Do conjunto de casas brasonadas, destacamse o Palácio Avillez, Palácio Achioli, Palácio Barahona, casa nobre dos Viscondes de Portalegre, casa nobre dos Condes de Melo, casa nobre de D. Nuno de Sousa e Palácio Amarelo, entre outros.

Antigas e novas igrejas recebem o resplandecente ouro das talhas e os belíssimos painéis de azulejos.


Portalegre conhece um notável desenvolvimento a partir do séc. XVII e seguinte, com a fundação da Real Fábrica de Lanifícios, por iniciativa do Marquês de Pombal.

No séc. XIX surgiu a Fábrica Robinson, dedicada à preparação e transformação de cortiça, que é parte integrante da memória de Portalegre e que possui um valioso espólio de arqueologia industrial.

Em 1947 é fundada a Manufactura de Tapeçarias, que, pela originalidade e valor artístico dos seus trabalhos, depressa se tornou no “ex-líbris“ da cidade.


MUSEUS

Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino
O Museu encontra-se instalado na antiga casa nobre da família Caldeira Castelo-Branco (portal do séc. XVIII).

O Museu da Tapeçaria de Portalegre – Guy Fino é um museu especificamente dedicado à apresentação, conservação e estudo de uma parcela fundamental do património artístico nacional representado pelas Tapeçarias de Portalegre.

Encontra-se dividido em dois núcleos distintos: no primeiro apresenta-se a componente histórica relativa à Manufactura de Tapeçarias de Portalegre, bem como os processos técnicos de execução da Tapeçaria de Portalegre, enquanto que o segundo núcleo é dedicado à apresentação exclusiva de obras de tapeçaria seguindo a cronologia da Tapeçaria de Portalegre, desde o seu nascimento em finais dos anos 40 do séc. XX até à actualidade.

Museu Municipal de Portalegre
O Museu encontra-se instalado, desde 1959, no edifício do Primeiro Seminário, construído no séc. XVI por ordem do Bispo Frei Amador Arrais. Localiza-se próximo da Sé Catedral e do Paço Episcopal, que no seu conjunto foram erguidos na óptica da Reforma Católica (séc. XVI).

Recentemente alvo de uma profunda intervenção arquitectónica e com um novo programa museológico baseado num inovador discurso expositivo, o renovado Museu Municipal de Portalegre possui um riquíssimo espólio proveniente, na sua quase totalidade, de dois antigos conventos de Portalegre, Santa Clara e São Bernardo, e de doações particulares.

Casa Museu José Régio
O Museu encontra-se instalado na antiga residência do Poeta José Régio.

A Casa Museu José Régio demonstra o gosto muito especial que o poeta tinha em recolher “coisas modestas de arte popular”. Na sua colecção, ao lado de peças de arte sacra têm-se peças do dia a dia da vida rural.
Conteúdo: Cristos, mobiliário rústico, faiança e artesanato.

Núcleo Rural do Museu Municipal de Portalegre – Colecção Emílio Relvas
A colecção Emílio Relvas é composta por trabalhos realizados por aquele artesão, natural da freguesia do Reguengo.

Emílio Relvas executava peças em madeira, com diversos motivos (vida quotidiana, religiosidade, natureza, entre outros) e legou à Câmara Municipal de Portalegre todos os trabalhos realizados ao longo da vida.

Destaca-se a interessantíssima colecção de Cristos.

Núcleo da Igreja do Convento de São Francisco
Construído em meados do séc. XIII, a algumas centenas de metros da cerca urbana, o convento de São Francisco é uma das construções mais antigas da cidade. A Igreja deste antigo convento, encerrado ao culto desde 1910, apresenta-se como espaço cultural.

Enquanto núcleo Museológico do Museu Robinson, apresenta duas valências fundamentais. Por um lado, a “igreja museu” com as várias sobreposições artísticas e temporais, por outro a nova função expositiva do espaço que preenche a amplitude da nave.

A ampliação da área existente teve como objectivo a instalação de uma colecção de arte sacra – a colecção Sequeira


MONUMENTOS VISITÁVEIS

Castelo de Portalegre
Data da época gótica (D. Afonso III e D. Dinis).
Mandado construir por D. Dinis por volta de 1290 para defesa desta zona de fronteira, foi perdendo funcionalidade ao longo dos anos.
A actual intervenção, da autoria do arquitecto Cândido Chuva Gomes, consistiu na construção de uma estrutura em madeira de forma a possibilitar a instalação de um restaurante, de um centro interpretativo da cidade e de uma sala de exposições temporárias.

Barbacã
O antigo centro histórico de Portalegre estava envolto por uma cintura de muralhas com várias torres e portas. Anteposto às muralhas, existe um muro que servia para defender o fosso, a que se chama barbacã. O acesso faz-se através de um belíssimo portão da autoria do escultor Rui Matos.

Sé Catedral
Criada a Diocese em 1549, era necessário construir um edifício que dignificasse o novo carácter de Portalegre. Assim, é lançada a primeira pedra da Sé Catedral a 14 de Maio de 1556, pela mão do primeiro Bispo da Diocese, D. Julião d’Alva, que só viria a concluir-se durante o governo do terceiro Bispo, D. Frei Amador Arrais, mas que continuou a sofrer alterações e ampliações até ao séc. XVIII. O estilo renascentista domina a arquitectura, o barroco a decoração e o maneirismo as pinturas dos altares. Este templo é um dos melhores exemplos das igrejas tipo “salão” muito características do Alentejo: altas e amplas. Os azulejos do séc. XVIII que forram totalmente as paredes da sacristia são um dos melhores exemplos de azulejaria barroca em Portalegre.
Templo dedicado a Nossa Senhora da Assunção.

Convento de Santa Clara
O Convento de Santa Clara foi fundado pela Rainha D. Leonor Teles em 1376, no local onde o Rei D. Fernando possuía um palácio. Ao longo do tempo foi sucessivamente reconstruído e acrescentado. Nos séculos XV e XVI foram alterados os claustros e outras dependências, tendo sofrido ainda várias modificações no séc. XVIII. Do antigo convento do séc. XVI resta parte do claustro, com dois tramos formados por arcos ogivais; no centro do claustro existe uma fonte triangular em mármore tardobarroco.

Mosteiro de São Bernardo
Foi fundado em 1518. O portal, clássico, é datado de 1538. O corpo da nave e o transepto são cobertos por abóbadas de nervuras e bocetes com o brasão dos Melos. As paredes ostentam painéis de azulejos historiados, barrocos, datados de 1739.
O túmulo de D. Jorge de Melo, que foi Bispo da Guarda e a quem se deve a edificação do mosteiro, localiza-se na igreja e é um dos mais sumptuosos do país.

Igreja de São Lourenço
A Igreja de São Lourenço foi construída no séc. XVIII e apresenta nave única coberta por abóbada de berço. Destacamse os trabalhos em talha dourada dos diversos altares e as paredes literalmente forradas a azulejo, representando cenas historiadas da Vida da Virgem. A torre sineira do lado esquerdo alberga o denominado “Sino de Roque Amador” por ter sido trazido da igreja de Rocamador, Valência de Alcântara, em 1705.

Igreja do Senhor Jesus do Bonfim
Mandada erguer pelo bispo de Portalegre D. Álvaro Pires de Castro Noronha, e lançada a primeira pedra a 1 de Dezembro de 1721, esta igreja insere-se no estilo barroco: o interior apresenta-se rico em ornamentos de talha e pintura e o painel de azulejos com cenas da Vida de Cristo e símbolos marianos, cobre integralmente o templo.

Igreja de Santo António – Bairro dos Assentos
Projecto de arquitectura contemporânea da autoria de João Luís Carrilho da Graça. Contando com 304 lugares sentados, a Igreja de Santo António, dos Assentos, tem como pano de fundo uma rocha que ali existia e a qual foi decidido manter. O objectivo do projecto de arquitectura era criar um volume muito simples, com paredes brancas, com espaços abertos no interior, o qual se integrasse e interagisse positivamente no meio urbano em que está inserido.

Casas brasonadas
O centro urbano de Portalegre desenvolveu-se principalmente a partir do séc. XVI, época em que foi elevado a sede de bispado e á categoria de cidade. Nos séculos seguintes, com o desenvolvimento da indústria, instalaram-se aqui várias famílias nobres e burguesas, facto que irá contribuir para a existência na cidade e arredores de um dos melhores conjuntos de casas solarengas do país.
Destacam-se o Palácio Achioli, o Palácio Avilez, a Casa Nobre de D. Nuno de Sousa e o Palácio Amarelo.


PATRIMÓNIO PAISAGÍSTICO

Situado em pleno coração do Parque Natural da Serra de S. Mamede, o concelho de Portalegre apresenta uma riqueza geomorfológica, paisagística, floristica e faunística que o tornam muito interessante do ponto de vista do património natural e da conservação da natureza.

A rara confluência das características climáticas atlânticas e mediterrânicas condicionou o rico e diversificado coberto vegetal, onde predominam os carvalhos, castanheiros e sobreiros existindo mesmo algumas espécies raras como é o caso de uma planta insectívora que se encontra na Serra de São Mamede.

Paralelamente a este tipo de vegetação encontramos muitas espécies animais tais como o sapo parteiro ibérico, a rã ibérica, lagartos de água, cobras, javalis, perdizes e aves de rapina como a águia de Bonelli.

Assim, a diversidade natural e paisagística constitui, juntamente com uma qualidade ambiental admirável, um óptimo motivo para a realização dos percursos pedestres do Parque Natural que atravessam o Concelho, levando-nos cada um destes percursos a uma realidade diferente.

Uns conquistam-nos pela beleza da sua paisagem; outros são bucólicos passeios campestres que nos desvendam tesouros escondidos e recordam os saberes tradicionais; outros, pelo valor intrínseco dos seus caminhos, valem pelo sincero prazer de os percorrer.
Mas, em todos eles se ensina uma mesma lição: como a natureza e a história souberam, nesta região, dar as mãos de forma exemplar.


PERCURSOS PEDESTRES

Para os amantes da natureza existem quatro percursos pedestres no Concelho de Portalegre, sinalizados pelo Parque Natural de São Mamede:

Percurso pedestre de Alegrete
Trata-se de um percurso circular com início e fim junto à Fonte Nova, em Alegrete, e apresenta diversas temáticas.
Num Parque Natural dos mais humanizados do país, temos uma paisagem fortemente influenciada pelo Homem.
É precisamente esse factor que poderemos observar ao longo do percurso, nas intervenções associadas a agricultura (eiras), apicultura (muros apiários) e práticas florestais.

Percurso pedestre das Carreiras
Todo o trajecto decorre através de terrenos graníticos. A altitude máxima atingida no percurso é de 700 m e a mínima é de 495 m.
Aprecie a vegetação do Parque Natural, a agricultura de subsistência – pequenas hortas com algumas árvores de fruto, o gado caprino, bovino e ovino, e os pássaros que sulcam os ares…
Parte do percurso faz-se ao longo de uma interessantíssima calçada medieval.

– Percurso pedestre do Reguengo
A diversidade, quer do ponto de vista geológico quer floristico, é a principal característica numa considerável extensão do percurso.

É um percurso particularmente acidentado com cumes e cristas, escarpas e desfiladeiros debruçados sobre a pene planície que, lá em baixo, se estende ondulada até ao horizonte, polvilhada de casario branco.

A profunda influência do homem acentuou a variabilidade floristica e criou espaços bem dimensionados e harmoniosos a par de exemplos extremos de degradação dos solos, do arvoredo e da paisagem.


Percurso pedestre de Ribeira de Nisa
Este é um percurso circular, com início e fim em Monte Carvalho. Apresenta duas alternativas, podendo o caminheiro escolher entre um percurso com maior ou menor duração.

As paisagens deslumbrantes caracterizam o percurso, principalmente entre o vale da Ribeira de Nisa e o planalto do Jogo da Bola; as cores diversificadas dos soutos centenários vão pintando o cenário, pontilhando aqui e ali eiras, muros apiários e abrigos de granito.


MIRADOUROS

Uma outra forma de admirar a riqueza paisagística do Concelho é visitando os diversos miradouros existentes:

Miradouro da Serra [Santa Luzia]
Situado na Serra de Portalegre (670m) com magnífica vista sobre a cidade de Portalegre.

Miradouro da Penha
Situado na Serra da Penha, inclui uma belíssima capela do séc. XVII.

Pico de S. Mamede
Situado a 1025 m de altitude, é o ponto mais elevado do continente português a sul do Tejo. Magnífica vista sobre a Barragem da Apartadura, a vila de Marvão, a Serra da Estrela e boa parte da Extremadura Espanhola.

Miradouro das Carreiras
Local panorâmico de grande beleza paisagística. Na freguesia de Carreiras pode apreciar-se também uma calçada medieval.

Miradouro da Ermida de N. Sra. da Lapa
Pequena igreja cavada na rocha situada a 1 km da povoação de Besteiros. Belíssimo panorama do Parque Natural da Serra de S. Mamede.